Incomodos, Observações do cotidiano

Nem mais, nem menos, apenas diferente


Assisti, um bom tempo atrás, um filme do Guiné-Bissau. Não me lembro o nome, mas se tratava da história de uma mulher que liderava uma tribo e dizia sempre: “quando você morre, o que fica é o seu nome e todo o significado dele”.

Corte de cenas e me lembro das aulas do prof. Paulo Freire no curso de capacitação que fiz em 1990, quando era professor de educação de adultos. Dizia o grande educador que tínhamos um compromisso em contribuir para que aquelas pessoas que estavam sob a nossa responsabilidade saíssem com, pelo menos, alguma idéia nova.

Em todo este processo terrível que está acontecendo da invasão da polícia militar na comunidade do Jardim São Remo, onde há mais de dez anos toco um projeto didático-extensionista de um jornal comunitário (o Notícias do Jardim São Remo), entre tantas indignações pelo desrespeito aos direitos humanos, sobram algumas emoções.

As primeiras de amigos da comunidade que mandam mensagens  – desde um simples “valeu!” até outras mais elaboradas. E, depois mas não menos importantes, mensagens tipo esta de alunas e alunos do curso de jornalismo da ECA:

Vendo que a São Remo apareceu até no Jornal Nacional dessa noite, fiquei bem pensativa. Enxerguei, numa visão involuntária e bem maniqueísta, o William Bonner de um lado, e o Dennis Oliveira, professor responsável pelo Notícias do Jardim São Remo, do outro. Cada um fazendo notícia à sua maneira, da forma que lhe cabe.

Os dois entraram na ECA juntos, há trinta anos. E trinta anos depois, é como se

 cada um tivesse mergulhado em um mundo diferente no universo do jornalismo. São dois mundos tão díspares que nem parece que, um dia, os dois estiveram na mesma turma de comunicação, lá em 1982 – quando ainda misturavam Jornalismo e PP nas salas de aula. Ainda que eu já entenda melhor o poder da grande mídia, enxergar essa disparidade me deixou em choque.E quer saber de uma coisa? Pra quem entrou no curso de Jornalismo ouvindo da família que, um dia, iria sentar na cadeira do William Bonner – todos nós, né, jornaleiros -, hoje eu me considero bem mais um Dennis de Oliveira.

Valeu,  Maria Marta, Paloma, Luiza Fernandes, Otávio Lino, Stéfano, Túlio, Ale, Mariana, Tati, e tantos outros; e ainda os alunos do primeiro ano de jornalismo da ECA que tem se esforçado em fazer um jornalismo diferente.

Não quero ser nem mais nem menos que Bonner que sempre foi uma pessoa muito amiga. Quero apenas ser diferente e fazer alguma diferença para, quem sabe, este mundo ser diferente.

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