Observações do cotidiano

Dores e hospital


Na terça-feira, dia 15/02, tive uma indisposição no estômago – ou qualquer órgão que fica na região da barriga, sei lá qual, só sei que doía para caramba – e, depois de suportar a dor até onde dava, fui parar no hospital à noite. Odeio hospital, sinto-me como um pedaço de carne quando sou examinado pelos profissionais de saúde, sabe aquela coisa de uma certa “objetificação do ser humano”? Mas a dor é um argumento que convence e afasta todos estes devaneios filosóficos…

Fui para o Hospital Universitário, um hospital público em que o atendimento ainda não está caótico como boa parte dos hospitais públicos. Também estou de saco cheio destas burocracias de convênios, em que você paga todo mês e tem que ficar pesquisando toda hora se tal hospital ou clínica ainda está credenciado. Você compra um plano de saúde com uma quantidade “x”de hospitais e clínicas e, depois, esta quantidade vai se reduzindo – os preços continuam subindo, é claro! Uma quebra de contrato que é surrupiada malandramente pelas empresas com aquela cláusula que afirma que a prestadora pode alterar a rede credenciada a seu bel prazer.

Acho que este é um dos únicos serviços prestados em que você fica refém da prestadora. Imagina só você assinar uma publicação impressa que é semanal e no meio da assinatura, ela decide transformar-se em mensal. Ou um pacote de canais por assinatura que é reduzido ao longo da vigência do contrato.

Bem, mas voltemos ao HU. Cheguei lá, fui atendido até com certa destreza, mas fui encaminhado para fazer um ultra-som do abdomen. A gente fica lá deitado na maca como um pedaço de carne, inspirando e expirando quando o cara manda, virando para  cá e para lá e depois é deixado na maca com aquela meleca de líquido viscoso espalhado pela barriga e com um papel descartável para você se limpar. Um horror.

Feito o exame, fui encaminhado para o retorno com o médico e aí passa por uma nova triagem. Uma senhora, cabelinhos meios brancos, óculos e roupa branca me atende, demora para entender que é retorno, e depois de explicado, joga a minha ficha em um escaninho. Bem, chega um monte de gente depois de mim e ao invés da dona colocar as fichas abaixo da minha, coloca-as acima. Resultado: de primeiro transformei no último da fila. Minha namorada até tentou reclamar, mas a mulher estava mais atrapalhada que barata tonta, confundindo exames, se perdendo com pedidos, etc. Uma certa hora, a dona estava digitando alguma coisa com os lábios retorcidos para dentro… Cara, aí – para dizer um português claro – fudeu!

Preste atenção que toda pessoa que faz uma tarefa simples, como digitar alguma coisa, com lábios retorcidos para dentro ou com a língua levemente para fora tem algum tipo de problema, pois está fazendo um enorme esforço para executar uma tarefa simples. Ou então, quando fica com a boca aberta muito tempo – a pessoa está encantada ou assustada com o instrumento a sua frente.

A dona, no meio da confusão, sai para tomar o seu lanchinho e bater papo com as colegas. Outra assume, o salão de espera se esvazia e sou chamado. O médico olha o exame e diz que não deu nada. A dor já tinha passado. Passei tudo isto para saber que eu não tinha nada, mas que eu tenho que ir a uma outra consulta para saber o que aconteceu.

Seja lá o que for, acho que a ida ao hospital e toda esta experiência serviu como uma dose cavalar para acabar com minha dor. Acho que o meu cérebro reprimiu-a pois não está a fim de ficar passando por experiências destas. Saúde é o que interessa…

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One thought on “Dores e hospital

  1. Eu gosto (relativamente) do HU. Pelo menos em relação a outros Hospitais Públicos e também ao Iamspe (Servidor). Lembro-me sempre do Florestan Fernandes quando penso no Hopsital do Servidor. Florestan morreu na fila do atendimento. Ele não precisava ter ficado ali, pois tinha alguns privilégios e poderia ser atendido na rede privada de grandes hospitais. Não quis. Ele era servidor público e recorreu a rede do servidor público. Morreu ali.

    Para terminar, sempre fico indignado quando o Governador é atendido no Albert Einstein, no São Luiz, no Sírio Libanes. É um tapa na cara do povo! E passa na Globo como sendo a coisa mais natural do mundo…

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