Comunicação e Jornalismo

Revista Veja se preocupa no controle dos radicais


Manchete de capa da revista Veja desta semana: O Monstro do Radicalismo. Subtítulo: A fera petista que Lula domou agora desafia a candidata Dilma. De que “monstro radical” a revista Veja se preocupa?

No dia 6 de julho, um almoço na casa do empresário Abilio Diniz com a candidata Dilma Roussef teve como ingrediente uma fala de uma convidada, da socialite paulistana: “Lula conseguiu segurar os radicais do PT. E ela (Dilma)? É o nosso medo.”

No dia 9 de julho, um almoço na mansão da família Marinho, organizada por Lily, viúva de Roberto Marinho (ele mesmo, o ex-dono da Globo) com a candidata Dilma Roussef e socialites paulistanas. A anfitriã também reverberou o seu medo do radicalismo.

Como porta-voz destes temerosos da elite, o candidato a vice-presidente Michel Temer afirmou que se coloca como um contraponto a qualquer tentativa de radicalismo. O PMDB, partido do candidato a vice, agiu como tal. Exigiu que no programa da chapa fosse suprimida um item que desagrada as socialites temerosas do radicalismo que é o imposto sobre grandes fortunas (aliás, dispositivo constitucional proposto pelo então senador e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que até o momento não foi regulamentado, provavelmente pelo seu “radicalismo”).

Vamos ver do que se trata esta medida radical que preocupa as socialites, o PMDB de Temer e a revista Veja. Todos falam que a carga tributária no Brasil é excessiva. Rendeu até o tal do impostômetro, colocado na sede da Associação Comercial de São Paulo, bem no centro da cidade. Reportagem da revista Carta Capital desta semana desmente este senso comum.

Os fatos:

1 – A carga tributária brasileira não é alta se considerada a “carga líquida”, isto é, descontar as transferências que a União faz para pagar aposentadorias, subsídios, pensões, etc. De 35% do PIB cai para 20%, menor que na Alemanha que é de 21%, Canadá, 23% e pouco maior que os EUA (16%).

2 – A carga tributária brasileira mais que alta é INJUSTA pois as famílias com renda de até 2 salários mínimos pagam 48,9% da renda com impostos enquanto que as famílias com renda superior a 30 salários mínimos pagam 26,3%.

3 – Como os demais países latino-americanos, o sistema tributário brasileiro onera mais o consumo que a propriedade, criando um sistema regressivo (os pobres pagam mais a conta porque os empresários repassam os impostos para o consumidor). A propriedade é pouco taxada ao contrário dos países europeus, onde a carga tributária incide mais sobre o patrimônio permitindo um sistema progressivo de cobrança e, portanto, mais justo.

4 – A maior parte do que é arrecadado não vai para os gastos sociais e sim para o pagamento dos serviços da dívida, assim quem mais se beneficia disto é o capital especulativo.

Resultado: os pobres pagam mais e os ricos se beneficiam mais do que é arrecadado. O sistema tributário brasileiro é uma distribuição de renda inversa.

O que é radical aqui é tentar minimizar este privilégio. As socialites e a revista Veja não querem que toquem no seu chá das cinco com brioches.

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2 thoughts on “Revista Veja se preocupa no controle dos radicais

  1. Valdemar Siqueira Filho diz:

    Informações muito bem articuladas, esperamos que a Dilma possa dar continuidade a um projeto sério de Brasil, e quem sabe, convencendo estas peruas pão duras que pobreza gera violência. Mas como a gente não sabe quem é a Dilma e a que ela vem, pois o PT repete a velha história dos partidos de não formarem novos quadros, assim os condidatos saem não se sabe por qual justificativa. só resta perguntar não para o povo, mas para o polvo da copa.
    Abraço,
    Dema

  2. Wilson Rocha e Silva diz:

    Falou tudo, caro Dennis: Nós é que temer, de novo, o radicalismo dessas elites que se apropriam de quase tudo e não abrem mão de nada. Parece que querem voltar ao atempo da escravidão, não é?
    E olhe que é difícil transformarmos essa realidade. As mudanças são feitas lentamente, e os donos do poder mudam o que querem, com relativa facilidade.

    Grande abraço

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